
(Pelo Espírito Hugo Duarte das Neves Moron)
Certa vez, conversando com o Sr. Fúlvio, ele me orientava sobre a importância de vencer o “medo”.
Naquele momento eu não compreendia o porquê de ele estar falando deste assunto comigo. Eu me considerava alguém sem “medos específicos”, só aqueles considerados “normais” ou até mesmo “preventivos”, pelo bom senso.
E esse bate-papo avolumou-se tanto que chegou em uma questão que considerei um tanto bizarra. E ele percebeu minha estranheza, com certeza meu semblante me denunciou.
Depois de algumas horas desta profunda explanação sobre o ‘medo’, ele me solta essa:
– Hugo, meu garoto do sorriso manso, você conseguiu acompanhar meu raciocínio até aqui? E eu respondi que sim, acrescentando que não saberia reproduzir tantas informações complexas e tão profundas, mas penso que tenha conseguido acompanhar o raciocínio sim.
E então ele me disse, depois desses meus 20 anos de chegada e estadia na pátria espiritual…
– Hugo meu querido, você se recorda da sua última causa “mortis”? Você percebe que foi um caso similar a estes que estou elencando? Você consegue perceber que desencarnou pelo “medo”?
Eu, Hugo, nesse momento assombrado por aquelas perguntas, respondo impulsivamente:
– Medo? Eu? Como assim?
– Calma meu caro jovem, vamos compreender os detalhes. O que você acredita que tenha causado seu desencarne?
– Do que me lembro… Foi a alergia daquela pasta de amendoim que nunca soube e nunca suspeitei.
– Meu querido Hugo, você se recorda que naquele momento sua garganta, vulgarmente dizendo, começou a fechar e sua respiração começou a ficar estranha, de modo que você não conseguia mais sentir que a respiração te supria, pois você não sentia a entrada do ar, não se acreditava estar conseguindo respirar? Foi mais ou menos assim o seu sentir? Do que você se recorda?
– Bem… A lembrança que trago foi a de ficar assustado, depois apavorado, e neste caos das emoções a respiração piorou muito. E todos me diziam: – Calma Hugo! Calma!
E como eu poderia conseguir me acalmar não conseguindo respirar?
E como tudo isso teria ou estaria relacionado ao medo?
– Pois bem, meu caro Hugo, o medo diante da impotência de conseguir controlar sua respiração, comprometida, pelo “edema de glote”, neste choque alérgico… O medo, inclusive da morte, por tão caótica situação e que esta pudesse te retirar da vida no plano material; esse medo, esse pavor favoreceu o desenlace do corpo físico diante deste agravado quadro.
Nesse momento, eu Hugo, senti um exagerado franzir de minha testa, senti que meu semblante se apresentava circunspecto e um tanto carregado, mantendo um ar de contrariedade e indignação. E o Sr. Fúlvio percebendo adiantou-se:
– Hugo meu querido, é muito importante que você perceba os detalhes e consiga discernir os estágios de cada sentimento, de cada emoção diante deste episódio, que de algum modo você já conhecia. Afinal, com 11 anos e meio, você passou por uma situação similar, após ter comido camarão. Então, perceba que o fato de você reconhecer essa situação, os borbulhos destas emoções, mesmo que inconscientemente, te trouxeram a sensação de algo conhecido, como uma presciência de algo que poderia ser bem ruim… E estas inquietações agravaram o seu estado e você na certeza de sua vulnerabilidade tendo que aguardar pelo socorro, sentindo temores, fragilizado, tornou tudo ainda maior… E compreenda meu querido, o quão comum é temer a morte. Principalmente quando estamos com a nossa consciência abafada, em surdina, por estar contida ao corpo físico, neste veículo tridimensional… Então o seu temor pela morte atinge picos altíssimos, associados ainda, a uma possível crise de ansiedade; convulsionando no desespero por não conseguir sentir o ar adentrar. Esse desespero natural, pelo conhecimento de causa, agravou o quadro acelerando esse processo de intoxicação, e o edema de glote intensificou de tal modo, que em curto espaço de tempo… Finda-se a vida para este plano da matéria densa, tridimensional.
Eu, Hugo, estava bem incomodado com aquela conversinha, que me alterava o humor, sendo esta uma outra surpresa, por que sempre me considerei uma pessoa calma, tranquila; mas… Essa alteração de humor para o modo, “muito irritado”, era uma situação desconcertante e mais desagradável ainda pela novidade de me perceber irritado, mesmo compreendendo que seria natural, pelo conteúdo daquela conversa e pelo fato desse assunto ser muito estranho. Então indaguei:
– Sr. Fúlvio, será que eu entendi bem? O senhor está me dizendo que eu morri nesta minha última encarnação por minha própria culpa, por não conseguir controlar-me diante desta situação tão inusitada?
– Acalme-se meu rapaz! Acalme-se! Eu te diria Sim e Não.
Sim, porque ‘Sim’. E neste caso não me refiro especificamente ao Hugo, mas ao ‘Espírito’ que és, em cujo passado remoto de vida pregressa, lamentavelmente voluntariando-se sob instintos, comprometeu-se com seus atos e inclusive às encarnações conseguintes, chegando tais efeitos até esta encarnação, da qual se recorda como Hugo, o querido de todos.
E eu também responderia ‘Não’, porque na verdade o seu maior pavor, não se referia a intoxicação sofrida aos 11 anos e meio, pela alergia a camarões. Em verdade a memória emocional que veio aturdir a sua mente e suas percepções, o seu ‘Ser’, foram as memórias reminiscentes de uma vida passada, em que cometeste suicídio, fazendo uso de venenos. Este registro específico de um dos seus desencarnes anteriores, pela intensidade das emoções vividas e consequências do ato em si, deixaram fortes e profundas chagas, registradas em seu corpo perispiritual. E pela densidade dessas memórias, infelizmente, estas chagas acabaram por reverberar nas encarnações seguintes, pós o evento do suicídio. Compreende o que quero dizer? O que estou tentando te explicar?
Na verdade, eu, Hugo, queria sumir daquele momento. Eu estava em choque! Eu me sentia congelado, petrificado, verdadeiramente morto. Será que alguém acreditaria, se eu dissesse, que nenhuma palavra ousava transitar pela minha mente, que dirá conseguir expressar uma palavra que fosse? O Sr. Fúlvio percebendo meu estado de perplexidade, adiantou:
– Meu querido Rapaz, pela grande estima que lhe tenho, fui escolhido para esta árdua missão de trazer esclarecimentos, de fazer-te ciente dos reais motivos deste seu último desencarne, como Hugo em seus 17 anos. Que em verdade a causa mortis, foi ainda reflexo do ato tresloucado que te conduziu prematuramente a morte, naquele tempo dos seus 25 anos.
Naquele momento, eu, Hugo, ainda estava em ‘pane’, como quem recebe um golpe indefensável e de grande impacto. E ele, o Sr. Fúlvio, muito experiente, antevendo o que seria de praxe ser perguntado por um rapaz como eu, naquela tal situação, comentou:
– Talvez querido Hugo, você me perguntasse, o porquê de você não ter desencarnado com 11 anos e meio e só mais tarde com 17 anos. Veja bem, meu intuito é de lhe proporcionar esclarecimentos e uma visão mais ampla sobre o nosso existir sempre atrelado às atitudes e consequências.
Então, não queira tomar minhas palavras como críticas ou julgamentos, até porque nessa encarnação como Hugo, você foi “bonificado” em razão do modo como interagia com a vida e com as pessoas.
E essa bonificação, esse ‘bônus’, resultou na prorrogação de seu desencarne de 11 anos e meio para 17 anos, quando você recebeu sua “moratória”, quer dizer, direito concedido por méritos adquiridos. E nesse caso, pelo seu bom comportamento como filho, sempre tão solícito, educado, gentil… E por ter estabelecido laços tão sinceros de tamanha espontaneidade afetiva, com seus pais, familiares e amigos. Sendo assim, foi outorgado a você Hugo, o direito da prorrogação de seu desencarne. Essa prorrogação na verdade é uma abençoada oportunidade, que favoreceu tanto a você, bem como, aos seus familiares. Seus familiares pelo benefício salutar de conviver com um filho, com um ente querido tão presente, tão amoroso, sensível, educado, cordato, estudioso, aplicado… Que bênção!
E com relação a você, Hugo, a síndrome que você foi acometido, deixando sequelas em seu corpo, após o edema de glote motivado por camarões, aos 11 anos e meio, que lhe trouxe grandes sequelas ao corpo físico, além do que seria considerado “normal”; sendo necessário medicações em amplo tratamento sistêmico, que chegava a causar muita estranheza aos profissionais de saúde.
Esta situação peculiar te ajudou a expurgar a toxidade perispiritual de outrora (venenos ingeridos em suicídio).
Então esses seis anos de expurgo, em total resiliência, sem nenhum traço de contrariedade ou indignação, até mesmo, pelo fato de que não poderia mais participar de nenhum tipo de esporte, de nenhuma modalidade ou atividade física, de nenhum evento que pudesse alterar seus batimentos cardíacos e/ou sua pressão arterial. E mesmo assim você mansamente tudo acatou, aceitando o novo padrão de vida.
Nesse momento, eu, Hugo, não conseguia mais conter as lágrimas, que mareavam meus olhos… Pareciam um vazamento hidráulico sem limites, parece que minhas lágrimas tinham autossuficiência para esse transbordo continuo… E a perplexidade em mim se mantinha, mas agora sinto-me tomado por um sentimento de repulsa e ignomínia com relação a mim mesmo. Que situação mais constrangedora, indecorosa… estava sendo bem torturante obter a informação do quanto eu já fui leviano e sabe Deus o que mais poderia eu ter sido… Lamentável!
E o Sr. Fúlvio percebendo meu desalento, tocando em meu ombro, reitera:
– Anime-se meu garoto! Agora vamos para a melhor parte.
Devido a sua interação em grande aceitação, daquele novo cenário do pós edema de glote, cada ano de sua resignada vida como Hugo, lhe valeram décadas, e estes irão te favorecer como atenuantes aos cenários das próximas vidas. E para tanto, se você desejar, estou aqui para te convidar a participar de Estudos, em estágios avançados, sobre o controle da mente e das emoções, desde que você queira e aceite participar.
O objetivo desse convite é te oferecer conhecimento e ferramentas para transmutar totalmente a toxidade que possa ainda existir, das sequelas do suicídio, banindo de sua mente os reflexos, as consequências, as lembranças, principalmente com o intuito de desativar, desconstruindo os gatilhos emocionais que ainda reverberam como resquícios do indolente jovem de outrora.
Estes estudos e treinamentos te farão compreender várias situações do pós-morte do seu eu, naquele tempo, como Marcos de Alcântara Arroyo Sampaio que aos 25 anos, pelo suicídio, retirou-se do cenário da vida (plano físico). E você vai compreender como as atitudes de uma vida impactam nas encarnações seguintes, bem como, no tempo vivencial do “entre vidas” (Erraticidade). E se você se permitir perceberá como as reminiscências de outras vidas se manifestaram nessa sua encarnação como Hugo. E o mais importante, como os registros da morte de um suicida reverberam por décadas e as vezes até séculos em sua linha do tempo; e como a oportunidade encarnatória age como salutar terapêutica transmutadora, principalmente para um suicida que tanto necessita depurar-se, renovar-se dos registros traumáticos em sua psiquê, em seu corpo perispiritual. E você entenderá Hugo, porque o “medo” tem peso descomunal para aquele que consumou o suicídio.
Mas por favor, não responda agora. O que você mais necessita neste momento é descansar. Nada melhor do que uma boa noite de sono.
E eu, Hugo, continuo calado, na verdade ainda atônito, com os olhos inundados que continuam a transbordar torrenciais lágrimas e caudalosas emoções. Então o Sr. Fúlvio percebendo minha fraqueza moral diante daquele momento de tantas revelações, que me fazia sentir-me tão insignificante… tão envergonhado… Permanecendo estático, fragilizado, condoído, e sem nenhuma possibilidade de interação. Afinal, o que eu teria para dizer ou comentar? Então Sr. Fúlvio acrescenta:
– Gostaria muito, se você me permitir, gostaria muito mesmo de poder te abraçar como um Pai, que recebe seu filho tão amado, seu filho pródigo.
Mas Eu, Hugo, não conseguia expressar nada além de um suave movimento de braços, que se abrem vagarosamente… E ele, Sr. Fúlvio, prontamente me guardou em seu acolhedor abraço e senti a sua emoção tão calorosa…
Seguimos juntos em silêncio. Ele me acompanhou até o pavilhão de meus aposentos. Naquele momento eu, Hugo, necessitava descansar, queria ficar só, duvidando se teria forças para pensar ou refletir… eu só queria dormir.
Sou muito grato por essa oportunidade de relatar trechos do meu existir, sinto-me ainda muito emocionado e entre minhas lágrimas já existe muita gratidão, por tudo; até mesmo por descobrir que nunca somos quem pensamos ser.
E nesse meu processo atual, preparando-me para merecer nova oportunidade encarnatória, sigo, mantendo-me agradecido pelo aprendizado; pelos amigos zelosos que me motivam; pela ternura que aprendi a perceber do Amor de Deus por nós… E pela vindoura bênção, que apesar de receoso, expresso minha intenção de vencer a mim mesmo, com muita humildade, verdade e gratidão.
Pelo Espírito Hugo Duarte das Neves Moron





